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História de Duque de Caxias, as riquezas…

Por aqui circularam as maiores riquezas do país

Nos séculos XVII e XVIII, a divisão administrativa de Iguassú, hoje município de Nova Iguaçu, seguia critérios eclesiásticos, ou seja, a igreja matriz assumia a responsabilidade jurídica e religiosa, administrando as capelas secundárias: as freguesias. Sendo assim, Pilar, Meriti, Estrela e Jacutinga, áreas que atualmente ocupam parte do território de Duque de Caxias, pertenciam à Iguassú.

A região tornou-se importante ponto de passagem das riquezas vindas do interior: o ouro das Minas Gerais, descoberto no momento de crise da lavoura açucareira, e o café do Vale do Paraíba, que representou cerca de 70% de toda a nossa economia.

Com a implantação do transporte ferroviário, na metade do século XIX, o quadro transformou-se radicalmente. A estrada de Ferro D. Pedro II ligou a capital do Império ao atual município de Queimados. A produção do Vale do Paraíba passou a ser escoada por esta via, os rios e o transporte terrestre deixaram progressivamente de serem usados e os portos fluviais perderam importância. A região iguassuana entra em franca decadência.

Meriti também ficou esquecida, nem a inauguração da Estrada de Ferro Leopoldina (1886), ligando a cidade do Rio de Janeiro à Meriti apresentou mudanças nesse quadro. Para piorar, os rios foram assoreados pelo desmatamento e pela expansão da ferrovia, transformando-se em pântanos, fazendo surgir focos de doenças como a malária.

Na década de 40, o governo federal promoveu a limpeza de mais de seis mil quilômetros de rios e construiu mais de 200 pontes na Baixada Fluminense. Com a inauguração de novas estações, em 1911, pela Estrada de Ferro Leopoldina multiplicaram-se as viagens, bem como o número de passageiros em Gramacho, São Bento, Actura (Campos Elíseos), Primavera e Saracuruna. Nesta época, Meriti ainda era distrito de Iguassú. Com a construção da Rodovia Rio-Petrópolis, em 1928, Meriti voltou a prosperar.

 

Caminho do Ouro

Tropeiros carregavam ouro e outras mercadorias até o Porto de Pilar

Tropeiros carregavam ouro e outras mercadorias até o Porto de Pilar

No século XVIII, o centro econômico brasileiro transferiu-se para Minas Gerais. O ouro veio substituir a plantação canavieira em crise, mudando o panorama da sociedade colonial.

Foi dada a largada para a corrida do ouro, que arrastou uma romaria de pessoas de vários pontos do Brasil: Nordeste decadente, vilas, sertões e até de outras nações européias. A atividade febril do século XVIII extraiu mais ouro das minas brasileiras, em sete décadas de exploração, que em mais de três séculos de atividade aurífera da América Espanhola.

Usando o caminho de Garcia Pais, que concluiu, em 1704, a primeira ligação direta entre o Rio de Janeiro e Minas, os tropeiros – homens que guiavam animais de cargas -, faziam o transporte do ouro e de outras mercadorias até o Porto de Pilar. O porto destacava-se pela sua posição estratégica, pois ficava à margem do rio de mesmo nome e era navegável em cerca de 12 quilômetros. A freguesia tinha um povoado próspero e sua igreja rivalizava, em luxo, com as demais da região das Minas Gerais. A viagem de barco era feita pela Baía de Guanabara, subindo rio até o porto de Nossa Senhora do Pilar.

O Caminho Novo de Garcia Pais era mais longo e de difícil acesso, fazendo com que muitas cargas fossem perdidas. Bernardo Soares de Proença abriu um novo caminho através do Porto da Estrela. Com subidas mais suaves e com um percurso menor em quatro dias, Estrela assumiu a rota obrigatória de todas as riquezas que circulavam na região.

Entre 1761 e 1781, as minas de ouro tiveram uma queda sensível em sua produção, mesmo assim, Estrela continuava sendo o principal caminho para o interior. A inauguração da 1ª ferrovia brasileira, ligando o porto de Mauá à Estação de Fragoso, em Petrópolis, contribuiu para a mudança da realidade local. Outra estrada de ferro, a D. Pedro II passando por Maxambomba, incluindo o assoreamento dos rios e a abolição da escravatura, decretaram o fim do porto.

Sem a conservação necessária, os rios foram ficando cada vez mais assoreados, quase que inviabilizando a navegação. Não demorou para que a região fosse transformada em área propícia à proliferação de mosquitos, tornando-se praticamente inabitável, tendo sua população declinado.

 

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Caminho do café

Foto da Baronesa

Foto da Baronesa

O café chegou ao Brasil em 1727, trazido por Francisco de Melo Palheta, que plantou no

Pará a primeira muda. Em 1840, o café já era o principal produto brasileiro com o aumento do seu consumo em toda a Europa e Estados Unidos.

O primeiro grande cultivador de café foi o Rio de Janeiro. Inicialmente foi plantado na Floresta da Tijuca, espalhando-se rapidamente por Angra dos Reis, Mangaratiba, Parati, Maricá, Itaboraí, Magé, Iguassú e Estrela. Apesar de que nestas duas últimas regiões, o café não chegou a constituir-se em um ciclo, embora tenha sido cultivado.

Solo fértil, temperatura amena e chuvas regulares. Esses fatores determinaram à região do Vale do Paraíba, como ideal para o cultivo do café. Foram 40 anos de superprodução (1830 a 1870) em que era comum ver os trens carregados até a boca fazendo o caminho Vassouras/Rio de Janeiro.

Associado ao capital inglês e aos produtores de café ,em 1854, Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, construiu a primeira ferrovia brasileira com o objetivo de dinamizar e baratear o transporte do produto. A Baronesa, nome dado à antiga locomotiva, saía de Raiz da Serra, Petrópolis, com seus vagões repletos de café e de outras mercadorias até chegar ao Porto da Estrela, de onde o transporte era feito por barcos a vapor, através da Baia de Guanabara, até a cidade do Rio de Janeiro. A ferrovia dava início ao fim do transporte terrestre e fluvial na região. Quatro anos depois, foi construída a estrada de Ferro D. Pedro II (atual Central do Brasil) e, em 1860, a São Paulo Railway Company (Santos- Jundiaí). Nem a The Rio de Janeiro Northen Railway construída no dia 23 de abril de 1886, representou grandes mudanças no processo de esvaziamento de Meriti.

Em 1870, o Vale do Paraíba perdeu sua pujança. O solo desgastado pelo uso contínuo do café transferiu-se para o Oeste paulista. O café era tão importante para nossa economia que representava, ao erário brasileiro, cerca de 70% de toda a sua exportação.

Com o fim da trabalho escravo, em fins do século XIX, ocorreram modificações expressivas na sociedade brasileira. O trabalho forçado feito pelo escravo, deu vez ao profissional assalariado. Foi no embalo dessas mudanças que surgiram as primeiras indústrias, dando início ao crescimento econômico.

No Rio de Janeiro, o reflexo do crescimento era marcado com a introdução da iluminação a gás e a novidade: água encanada. No Brasil, até 1860, foram registradas 70 fábricas que produziam produtos até então importado, como cerveja, chapéus e sabão.

No governo de Nilo Peçanha, Meriti teve uma tímida melhoria na área do saneamento básico, contando, inclusive, com a chegada da água, em 1916, na área da atual Praça do Pacificador. Mas no governo de Getúlio Vargas, que criou a Comissão de Saneamento da Baixada Fluminense, a região avançou muito. Até 1945, mais de seis mil quilômetros de rios foram limpos, retirando dos seus leitos 45 milhões de metros cúbicos de terra. Com este trabalho, os rios deixaram de ser criadouros de mosquito, diminuindo em muito o número de doenças na região.

Com a abertura da Rodovia Rio-Petrópolis, Meriti voltou a crescer. Inúmeras empresas compraram terrenos e se instalaram aqui devido à proximidade com o Rio de Janeiro.

 

Fonte:
Câmara Municipal de Duque de Caxias
www.cmdc.rj.gov.br

 


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